A máfia da blogosfera
14
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:40link do post | comentar
O Presidente Cavaco Silva tem estado francamente silencioso sobre toda esta questão da educação. Faz pequenas intervenções, como no dia da manifestação dos professores e outra, feita hoje, sobre o comportamento condenável de alguns actores das manifestações.
O nosso Presidente da República tem dois grandes problemas: por um lado, vê a sua função como a de um fantasma, que paira por aí e que aparece para assustar o governo de vez em quando e, por outro, tem telhados de vidro - lembram-se do tempo em que os miúdos mostravam o rabo à na altura ministra da Educação?
A questão é que o modo como Cavaco Silva vê a sua função é errado, o Presidente da República é a autoridade máxima da nação e não convém que despreze o seu poder, e o facto de ter telhados de vidro não o pode impedir de condenar o que agora se faz. É que isto é uma falácia recorrente no debate político e não sei como ainda ninguém se lembrou de a desmontar: "como o senhor há 10 anos fez porcaria, não me pode acusar de estar a fazer porcaria agora", ou seja, "a porcaria que o senhor fez há 10 anos legitima a porcaria que faço agora".
Numa altura em que o Presidente está com índices de popularidade tão maus, não lhe fazia mal nenhum "arriscar" e intervir em tudo isto, a bem da democracia, diria eu.

De facto, o nosso Presidente não tem dado muito a cara acerca deste assunto que tem ocupado (algumas) manchetes nos últimos dias. Melhor, dar a cara até dá, mas como disse, "francamente silencioso".
A teoria de que um Presidente se deve manter afastado de quaisquer tendências políticas e privar-se de comentários pessoais é inteiramente respeitada. Pelo menos por mim, não o condeno. Mas julgo aperceber-me de um toque de mistura no meio disto tudo. A principal figura de Estado deve colaborar, a bem do respectivo país. Tantas e tantas formas de "ajudar", sem colocar em causa a suposta integridade e compromisso com o cargo que desempenha. Só lhe faria bem a ele, e ao país, que cada vez mais se confronta com uma névoa ao fundo da estrada.
vozcívica a 14 de Novembro de 2008 às 19:39

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