A máfia da blogosfera
05
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:27link do post | comentar
A taxa de reprovação no exame de Matemática A do 12º deste ano baixou para 7 por cento, contra os 18 por cento do ano passado, numa prova em que a média de notas foi de 12,5 valores. Mas a média de notas no exame de Português do 12º deste ano ficou abaixo dos 10 valores pela primeira vez em três anos, situando-se nos 9,7 valores face aos 10,8 de 2007.
A taxa de reprovação de 7 por cento dos 36.674 alunos que fizeram este ano a prova de Matemática A é menos de metade da verificada no ano passado (18 por cento) e cerca de um quarto da de 2006 (29 por cento), indicam os dados oficiais distribuídos hoje à tarde pelo Ministério da Educação (ME).

Quando o exame ficou disponível on-line, vozes de protesto se levantaram contra o "facilitismo". Quando os resultados saíram, vozes se levantaram contra esse mesmo "facilitismo". Apesar de a minha voz não se ter levantado, ela concorda com as que o fizeram. Os exames estão, realmente mais fáceis. Mas a questão de fundo aqui é se os exames estão "fáceis" ou "mais fáceis". Há uma pequeníssima diferença.

Todos sabemos que os exames de Matemática deste ano foram mais fáceis do que os do ano passado. Não sabemos é se os do ano passado não seriam demasiado difíceis (não estou a dizer que eram) e que este ano passaram para a dificuldade desejável. Como podemos saber? Muitos dizem que um exame é apropriado quando o aluno médio o consegue resolver. Ora, os exames dos anos anteriores não eram certamente resolvidos por qualquer aluno médio (a média era de 8 valores, aproximadamente, e a taxa de reprovação de cerca de 20%). Será que isto quer dizer que eram difíceis? Dúvido. Provavelmente os alunos "médios" não o eram, tinham notas fantasma dadas por professores pouco exigentes...

Muitos dizem que este "facilitismo", alegadamente ordenado pela Ministra herself, serve para mostrar estatística a Bruxelas. Não dúvido. É uma obcessão esta competição em Bruxelas. Deviam criar as Olimpíadas das Estatísticas em que os países da União tentavam melhorar os seus "rankings". Se calhar não, seria ridículo.
Este problema de Bruxelas não é novo, vem desde 1 de Janeiro de 1987, e dúvido que nos toque só a nós. Acredito que muitos países façam o mesmo. Eu cá, que de nada entendo, tenho uma proposta. Porque não harmonizar a política de ensino na UE e, por conseguinte, harmonizar os exames que classificam os estudantes. Assim, já não poderia haver "facilitismo ordenado" nem exames "fáceis" ou "difíceis". Não é assim tão absurdo, se temos um Mercado Único em que se pretende que as barreiras sejam anuladas, uma barreira a anular será a diferença na formação e qualificação! Isto resolve-se com a boa velha harmonização! Para rimar, só por isso, pergunto: Porque não?

Tiago

A intenção é boa. O problema é que os sistemas de ensino nacionais são muitíssimo distintos, mesmo os daqueles que têm bom desempenho dos alunos. E se, para estes países, o sistema é bom, porque mudar?
Nós é que temos que melhorar, não os outros necessariamente. A haver harmonização tem que ser nossa

Abraço

Alvaro
Alvaro Santos Pereira a 5 de Julho de 2008 às 21:04

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