A máfia da blogosfera
23
Set 09
Por Tiago Moreira Ramalho, às 19:52 | comentar | ver comentários (5)

O Afilhado está oficialmente encerrado. Foi mais de um ano extraordinário. Esta singela página trouxe-me muito de bom que, por egoísmo primário, não partilho. Quero que seja tudo só meu. Mas, como tudo, tem de ter um fim. O tempo escasseia, uma nova vida começou e manter este espaço ao mesmo tempo que publico noutro iria ser muito difícil. Escolhas têm de ser feitas e escolhi esta via. Os amabilíssimos comentadores que aqui deixavam sempre estimulantes desafios estão mais que convidados para se mudarem comigo para o Corta-fitas, onde vou estar em «exclusivo».

Blá-blá-blá. Snif. Foi bom. Muito bom.
 
Para os que, por masoquismo tolo, quiserem contactar-me, têm ali em cima o meu e-mail e aqui ao lado o link para o meu twitter.

09
Set 09
Por Tiago Moreira Ramalho, às 10:04 | comentar | ver comentários (9)
Não consigo compreender como é possível que, num país europeu e desenvolvido, se continue a discutir a nacionalização do aparelho produtivo e o combate ao «grande capital». Pior do que isso, não compreendo como é possível que 20% dos eleitores portugueses se deixem deslumbrar por algo tão mau para a sociedade e a economia.
Temo que 20% de eleitores da extrema-esquerda seja apenas a prova que os programas de História do ensino básico estão desajustados.

08
Set 09
Por Tiago Moreira Ramalho, às 23:54 | comentar | ver comentários (2)

Ganhei a aposta. Foi um debate, como diz o João Gonçalves, entre dois evangelistas. O falso choque de Sócrates em relação aos ataques à classe média que o Bloco pretende perpetrar e o constante ar maquiavélico e moralista de Francisco Louçã apenas legitimam que se diga da nossa esquerda que é a pior da Europa.

 
P.S.: Uma pequena nota para o observador atento: repare-se que Sócrates aproveita todas as suas aparições, até os debates televisivos com os líderes da oposição, para atacar Manuela Ferreira Leite. Há uns meses isto não acontecia.

Por Tiago Moreira Ramalho, às 19:45 | comentar | ver comentários (3)

O debate entre Francisco Louçã e José Sócrates vai ser miserável. Teremos duas pessoas com uma tremenda falta de honestidade intelectual a competir pelo lugar de o mais modernaço cá da quinta. A demagogia do Bloco vai passar incólume, os «neo-liberais» da «direita» vão ser bem malhados e pronto, será isto. Nem sei se vou ligar a televisão.


Por Tiago Moreira Ramalho, às 11:28 | comentar | ver comentários (1)
O facto de não darmos importância aos deputados, às caras, faz com que sejam, regra geral, pessoas incompetentes. Pessoas incompetentes e dependentes dos partidos em que militam. Isso leva a que, em vez de fiscalizador e verdadeiro representante do povo, o Parlamento seja uma bengala do governo. A isso e a que as leis portuguesas sejam puro lixo.
É preciso que o poder legislativo e executivo sejam mais independentes um do outro. Muito mais independentes.

Por Tiago Moreira Ramalho, às 11:24 | comentar | ver comentários (3)
Dia 27 de Setembro vamos eleger os deputados da nação. São eles quem legisla. É uma tarefa importantíssima, no entanto, ninguém quer saber deles. Apenas queremos peões que levantem o braço para que seja este ou aquela o Primeiro-Ministro. Os deputados portugueses são isto: peões.

07
Set 09
Por Tiago Moreira Ramalho, às 19:32 | comentar
Bem sei que só venho aqui de quando em vez, quando o sr. Ramalho me pede uma perninha e eu, atrevida, acedo com agrado. Mas obriguei-me a voltar aqui para responder ali à senhora dona Eugénia que teve o desplante de dizer que sou avó do Sócrates, esse malandro. Olhe minha senhora, desta Clotilde que a terra há-de comer, deleitada, nunca brotou rebento algum, que o meu Adolfo tem lá umas coisas que não posso dizer aqui e sou mulher de um homem só. E mesmo que, por acaso do destino, me fizesse um filho o meu homem, nunca por nunca me saía um Sócrates. Com franqueza. Por quem me toma?

 

Clotilde Ernesto


Por Tiago Moreira Ramalho, às 19:21 | comentar | ver comentários (4)
Escreve o Luís M. Jorge, num texto que desconfio irónico ou inacabado, que o eleitor racional vota em Sócrates. Para isso elenca uma série de coisas certamente consideradas boas por alguns que este governo trouxe. São muitas: a avaliação de professores, que parece ser melhor má que inexistente; os Magalhães subsidiados, a JP Sá Couto acha esta muito «racional»; o défice «controlado» à custa da receita e sem qualquer reforma da Administração Pública; o aumento das prestações sociais; e, ainda, a Obras Públicas que sejam boas ou más são boas – há cada raciocínio. Não sei se o texto serve para por a nu a triste argumentação da maioria, mas se não for, Luís, falta aí um pouco de racionalismo.

Por Tiago Moreira Ramalho, às 14:14 | comentar | ver comentários (1)

Depois do Pedro Mexia, aparece o Pedro Lomba no novo Sete Sombras.


Por Tiago Moreira Ramalho, às 12:30 | comentar

 


Por Tiago Moreira Ramalho, às 12:11 | comentar
Nas televisões o debate de ontem, o melhor de todos os debates, sem dúvida, surge com honras de primeira notícia. Só depois, bastante depois, aparece José Sócrates na sua apagada Convenção feita no seu aniversário. Há uns meses não seria assim. Há uns meses, Manuela Ferreira Leite e Francisco Louçã apareceriam certamente depois do admirável líder e do seu discurso. São sinais claros.

Por Tiago Moreira Ramalho, às 12:01 | comentar

A quem aproveita?, por Jorge Assunção.


Por Tiago Moreira Ramalho, às 10:25 | comentar

Último dia. Entrei e um tsunami de bandeiras vermelhas e bandeiras brancas quase me afogou. Já me davam uma, comentei. Afinal, eu tinha de ser um infiltrado completo e até levava uma t-shirt cor-de-laranja. Passei as banquinhas de pulseiras e inutilidades que tais e desci até ao palco principal onde um Jerónimo de manga arregaçada e voz projectada bramia contra a política de direita, o grande capital e as coisas do costume. A cassete. Torna-se tão ridícula a repetição do discurso que até o ouvi, em parte, queixar-se da especulação imobiliária. O senhor tem andado por cá nestes últimos dois anos, perguntei-me. A seguir ao discurso, seguiram-se os maravilhosos, e aqui não há qualquer ironia, cânticos do partido comunista. Confesso, adorados leitores, que me arrepio quando oiço as pessoas, aquelas pessoas, a gritar tão alto que querem um «mundo sem amos» e que um dia o «sol brilhará» para todas elas. Sim, sou um mariquinhas, mas que fazer?

Deu-me a fome. Fui de novo às traseiras da tenda do Porto a uma banquinha (Matosinhos, estou em crer) com meia dúzia de pessoas na fila para comer uma bifaninha. Coisa boa. Alimentado, corri ao lago, a «zona verde» da festa do Avante, onde permaneci um bom bocado.
Já quase no fim, por volta das dez, tocava o David Fonseca e levei-me para o palco principal. Estava quase a soar a Carvalhesa e a ser o fogo-de-artifício. Foi lindíssimo. O fogo, lá em cima, e, de novo, as danças cá em baixo. O quase-ritual pagão, extraordinária demonstração de simplicidade e alegria. Digam o que disserem, e olhem que sou insuspeito, os cartazes não mentem: não há festa como esta.

06
Set 09
Por Tiago Moreira Ramalho, às 17:07 | comentar
Andei desaparecida. Foi. Passei umas temporadas nas exóticas terras alentejanas – ai aquele sotaque, aqueles bronzes! – e nem uma revista li, nem uma voltinha pela internet dei, nem o meu homem, o meu querido e amado Adolfo, vi. Chego cá, dou um pulinho ali ao Senhor Palomar, que mudou de casa, e vejo que celebra três meses de não-existência – afinal, quem é ele?
Eu, por mim, confesso aos queridos leitores, que sei que sou eu, Clotilde Adolfo Ernesto, quem traz leitores a esta espelunca do sr. Ramalho (já viram o pó daquela barra lateral?), que se me dão os calores sempre que leio aqueles títulos de setecentos caracteres do Senhor Palomar – perdoa-me querido Adolfo. A aura misteriosa daquele intelectual cheio de talento para escrever sobre coisas que eu, com o meu sexto ano mal amanhado, não entendo faz-me estremecer sempre que ali entro. Imagino aquele senhor – é certamente um homem e galante! – com um cachimbo sempre no canto da boca, sentado num escritório de chão de madeira que range, muito, com óculos grandes e grossos, barba grisalha – ai, senhores! – e aquelas ruguinhas paralelas que os grandes pensadores fazem entre as sobrancelhas. Sim. Ele é assim. Se não for, nem quero que me digam.
 
Clotilde Ernesto
 
P.S.: que me perdoe o Senhor Palomar por ter utilizado dois pontos de exclamação neste texto. É quase pecado, bem sei. Mas não resisti.

Por Tiago Moreira Ramalho, às 12:18 | comentar

O calor era quase insuportável quando cheguei. Era meia tarde. A «hora do calor». E na Atalaia não fazem por menos. Como sempre se faz, circulei. Encontrei amigos, pus conversa em dia – há tanto tempo, pá! – e voltei a circular, circular. Experimentei uma entrada na Festa do Disco, coisa grande bonita e barata. Havia ali milhares de DVD’s e discos, ora pois, a preços que riam para mim, atrevidos.

Nas avenidas encontrei imensas crianças. Da mesma forma que os católicos se acham no direito de encaminhar os filhos para a sua crença, também os comunistas, detentores de uma fé infinita, o fazem. Miúdos pequeninos com camisolas do Lenine, quando nunca souberam quem foi Lenine ou, mais importante, por que mortes foi Lenine responsável. Isto das camisolas do Lenine e do Ché fazem-me pensar uma outra coisa: imaginemos que a festa era outra: de nacional-socialistas. Imaginemos que em vez do Lenine e do Ché, estavam nas camisolas Hitler e Mussolini. Imaginemos que em vez de foices e martelos eram erguidas ao alto cruzes suásticas. Por cá dizem-me: não tem nada a ver. Pois não. Claro que não.
Adiante. Já noitinha, com uma larica que já me entorpecia os sentidos, exagero meu, procurei um sítio para comer. Pensei numa francesinha, mas a fila era simplesmente gigantesca. Depois pensei noutros sete restaurantes, mas as filas eram igualmente grandes. Passei por um e sorri. Dizem que os tempos mudam e o que vi é prova disso. Ao fim da tarde, a maior fila da festa do Avante era a da marisqueira. O tempo das bifanas é outro. Acabei a comer uma vitelinha assada num restaurante meio escondido (Santo Tirso). Coisa discreta, que não chama as atenções. No fim, parecia um buda, com um barrigão que só julgava possível para os consumidores compulsivos de cerveja.
Ao fim da noite, tristonho por, em dois dias, ninguém me ter chamado camarada, vi um pouco do concerto dos Clã – um concerto fantástico – e perdi, por coisa de três minutos ou menos, a maravilhosa e arrepiante Carvalhesa. Uma pena.
 
Ah!, esqueci-me de vos dizer ontem: vi a excelentíssima Ilda Figueiredo, essa referência da política nacional, toda ela de fatinho e copinho na mão enquanto confraternizava com camaradas.

05
Set 09
Por Tiago Moreira Ramalho, às 12:59 | comentar
Lá fui. Igual, como sempre.
Este ano não há KFC, só Telepizza – o capitalismo está a ser fortemente combatido. As abadias distritais/regionais (sim, porque não há nenhum distrito chamado Alentejo) são as mesmas. Vendem o mesmo. As pessoas talvez sejam diferentes. Pormenores irrelevantes. Vamos ao que importa.
O Avante é «a» festa política em Portugal. Tem vícios, claro. É muito triste ver ambulâncias em permanente circulação e em permanente tratamento de rapariguitas em coma alcoólico. É muito triste ver gente completamente embriagada a meter-se com desconhecidos. É muito triste que cada tomo do «Capital» custe uns escandalosos 11€. No entanto, tudo isto facilmente se ultrapassa – é verdade! – quando se sente o espírito da festa. Vamos à Festa do Livro e compramos um «A casa dos budas ditosos» do Ubaldo Ribeiro por uns simpáticos 15€. Fingimos que não sabemos que uma grande parte das pessoas que ali circula não é comunista e deixamo-nos ficar, quando escassos minutos faltam para a meia-noite, a olhar o céu despido de estrelas – vulgares vestes – e coberto de foguetes coloridos – coisa nobre. Baixando os olhos, mesmo cá para baixo, para o palco principal, são aos milhares os que num transe inexplicável dançam, sim: dançam «A Carvalhesa». Riem. Muito. Estão felizes por participar na festa. Tudo isto numa sexta-feira mal amanhada e começada tarde.

04
Set 09
Por Tiago Moreira Ramalho, às 15:36 | comentar | ver comentários (1)

O problema é o cenário que permitiu isto e que gerou decisões como estas – e que teve o seu epicentro público no discurso inaugural do congresso do PS. Que o primeiro-ministro não ordenou à administração da TVI o fim do Jornal Nacional? Pode acreditar-se. Mas o que acontece é que o primeiro-ministro tinha pedido o seu fim.

 

Francisco José Viegas, no Origem das Espécies.


Por Tiago Moreira Ramalho, às 14:49 | comentar

 

Norman Rockwell, Freedom of Speech, 1943


Por Tiago Moreira Ramalho, às 09:59 | comentar

A prova de que Sócrates tem responsabilidade moral em tudo isto e a de que tem plena noção desse facto é a sua declaração que roda todos os noticiários. Se Sócrates não tivesse responsabilidade no fim do telejornal, a suspensão deste não afectaria negativamente a campanha – muito pelo contrário. Afectará. E bem.


arquivo do blogue
2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar